Alabê é um grupo musical que apresenta a percussão tradicional do candomblé da nação Ketu em uma roupagem jazzística. As composições são diálogos da percussão com o saxofone, como no Candomblé dialogam o Rum (o atabaque que conduz o ritual) com o Orixá.

A música original brasileira nasce do contato com a percussão e ritmos africanos, difundida à partir dos terreiros de samba e de candomblé. O legado musical africano abrange diversas regiões do mundo, dando origem também ao blues, jazz, rumba e salsa.

 

A riqueza da percussão africana é monumental. O conhecimento desta tradição é passado de mestre à aprendiz em espaços religiosos. Cada sacerdote-músico, que tem a função de Ogã, é possuidor de uma parcela de conhecimento. Em uma cultura de tradição oral e em um ambiente onde o estudo musical formal é incomum, há raros registros destes tesouros musicais. Muitos percussionistas destacados no Brasil e no mundo, bebem nestas águas, mas raramente a musicalidade original extravasa estes espaços de culto.

 

Trazer este conhecimento tradicional para a contemporaneidade, de forma a torná-lo acessível a um público maior, é contribuir para a preservação e valorização de nossa cultura imaterial.

 

O grupo foi fundado por Antoine Olivier, percussionista francês que se radicou no Brasil, formado em “Ogã” nos terreiros tradicionais de Candomblé do Rio de Janeiro, e pelo Saxofonista e compositor brasileiro Glaucus Linx (Carlinhos Brown, Isaac Hayes, Salif Keita, Elza Soares,...). O grupo recebe a participação excepcional do grande mestre dos tambores do Candomblé : Dofono de Omolu e dos percussionistas Tiago Magalhães e Gabriel Guenther.

 

O batuque sagrado do candomblé da nação Ketu traz sua complexidade e poder para um cenário contemporâneo. Este é o Alabê Ketu Jazz. Quatro percussionistas e um saxofonista exploram paisagens sonoras de uma forma inusitada, através de músicas autorais e de compositores como Baden Powell.